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Campinas, metrópole com mais de um milhão de habitantes, localizada a 92 km da capital do estado de São Paulo, Brasil, abriga mais um patrimônio histórico brasileiro: a Irmandade de Misericórdia composta pelos hospitais Irmãos Penteado e Santa Casa de Campinas, construída há mais de 130 anos.
A origem das Misericórdias vem da comunidade portuguesa. em agosto de 1498, meses após Vasco da Gama ter chegado às Índias, nascia em Lisboa, sob a proteção da corte, a chamada Confraria da Santa Casa da Misericórdia. A rainha de Portugal, Leonor de Lancaster, esposa de D. João II, fundou a primeira instituição, com o objetivo de responder, de forma organizada, às necessidades assistenciais naquele tempo. Um século depois, contava-se centenas de Misericórdias espalhadas por Portugal e mais de cinqüenta nos territórios chamados ultramarinos, como é o caso do Brasil, então colônia portuguesa. na prática as Misericórdias primitivas eram abertas a toda sociedade que, através delas, se transformavam numa enorme confraria, benquista da monarquia e do papado. em 1503, Dom Manuel respondia pela Coroa Portuguesa e entendeu que os poderes civis e religiosos seriam inseparáveis companheiros de viagem. Foi então que a Coroa Portuguesa incluía no chamado orçamento do Estado da Índia, despesas com suas expedições e verbas destinadas aos Hospitais e às Misericórdias do além mar. A partir da parceria entre a Coroa Portuguesa e a Igreja Católica, a rápida implantação urbana das Casas de Misericórdia também envolviam fiéis na construção dessas obras assistências, que aos poucos foram agregadas às estruturas hospitalares, de educação e atendimento social.
No outro extremo do império, no Brasil, a Misericórdia de São Salvador da Bahia surgiu em 1542, seguida da de Santos em 1543, e do Rio de Janeiro menos de duas décadas depois. Em 1584, segundo testemunho do Padre Anchieta, já havia Misericórdias em todas as Capitanias brasileiras
Mesmo com o fim da colonização portuguesa, o envolvimento da Sociedade Cristã na Construção das Santas Casas de Misericórdia fundadas no Brasil após o período colonial continuaram os mesmos.

Padre Joaquim José Vieira
Chegamos então no dia 19 de novembro de 1871, quando foi lançada a pedra fundamental da obra tão sonhada pelo Padre Joaquim José Vieira: o de construir um hospital para atender os necessitados e um estabelecimento de educação para crianças e órfãs carentes em Campinas, terra que adotou como sua. A comunidade abraçou a causa e contribuiu para a edificação do hospital e do asilo.

Agosto de 1876 – Inauguração do Hospital, Capela e Asilo de Órfãs
Em 16 de agosto de 1876 a santa casa de campinas foi entregue aos integrantes da mesa da irmandade de misericórdia.
Dois anos mais tarde, na mesma data, 16 de agosto de 1878, foi aberto também as portas do edifício destinado à educação das crianças.

Em 1870 o terreno foi doado pela família de Maria Felicíssima de Abreu Soares
Em 1889, a epidemia da febre-amarela dizimou grande parte das famílias campineiras, cujos filhos talvez mais resistentes, ficaram órgãos e à mercê da caridade alheia. Foi então que a Irmandade de Misericórdia de Campinas exerceu importante papel na assistência e socorro aos acometidos pela epidemia. O asilo de órfãs, que funcionava neste prédio, era dirigido por freiras, muitas delas de origem francesa, que também prestaram socorro naquela época e cumpriram sua missão de educar e formar todas as órfãs.

Novembro de 1884 – Visita Outubro de 1888 – Visita
da Princesa Isabel (1888 Ab.Escravos) de D.Pedro II (1889 República)
Quarenta anos depois daquela tragédia, a cidade retomou seu desenvolvimento, e transformou-se num dos mais conceituados complexos hospitalares da América Latina. Em 1936, acoplado à Irmandade de Misericórdia, foi inaugurado o hospital Irmãos Penteado em homenagem à família que sempre contribuiu na construção desse hospital. Mais tarde, em maio de 1963, o então asilo de órfãs deu lugar à Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp que funcionou aqui até o final de 1985.

Em 1936, a Irmandade inaugurou seu segundo Hospital, denominado Irmãos Penteado
No ano seguinte, a faculdade de medicina, junto com o departamento universitário de enfermagem que funcionava no chamado casarão, hoje choperia, foram transferidos para a Cidade Universitária Zeferino Vaz, de Barão Geraldo. Cerrada as portas desse patrimônio histórico por quase 20 anos sem qualquer tipo de uso social, educacional e nem tampouco cultural, a atual diretoria do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Campinas e Região estabelece comodato pelos próximos 20 anos com a provedoria da Santa Casa, com o objetivo de promover o resgate da história desse patrimônio. A partir de então busca parcerias na sociedade para o restauro de toda a estrutura e trabalha para retomar a missão desse espaço que sempre foi o de educação e saúde.
Santa Casa
Por isso aqui está sendo instalado o ISI - Instituto de Saúde Integrada - com a missão de formar e reciclar profissionais de saúde, promover atividades culturais, construir o Museu da Saúde de Campinas e estabelecer programas de ação social junto à comunidade. O ISI está devolvendo à sociedade campineira parte da sua história através de uma das suas mais dignificantes obras na área de educação e saúde. O Instituto de Saúde Integrada tem a missão de promover educação, cultura e ação social na região metropolitana de campinas interagindo com todas as localidades paulistas, brasileiras e internacionais, num intercâmbio rico de conhecimento e formação social, com vistas a uma sociedade melhor em todos os sentidos da presteza humana.